Minha analise sobre Darkest Dungeon

Darkest Dungeon®7 views11 min readby KimbaView on Steam ↗

Darkest Dungeon

Darkest Dungeon é um dos jogos mais únicos que já joguei, mesmo não sendo muito chegado em RPGs de turno por me cansarem muto rapidamente com suas mecânicas não me impediu de apreciar essa maravilha, muito por tirar boa parte das coisas que me incomodam no gênero e ainda adiciona novas ideias que suplementam mais ainda a experiencia.

HISTÓRIA

A história de darkest dungeon é simples e algo que você espera de um horror cósmico. Ela funciona muito bem como plano de fundo para nossas ações e constroem de forma orgânica a mítica por trás da ‘’masmorra mais escura’’ onde sempre me deixava intrigado em saber o que me esperava de tão assustador, seja em sua dificuldade ou nas suas bizarrices.

Ainda sim acredito que o destaque da trama se deva a tudo que envolve as dungeons básicas e seus chefes, que me cativaram bem mais que o enredo principal. Elas são bem criativas e transmite bem o terror que aconteceu lá.

Minha maior decepção é como essa história toda é contada. Por meio de algumas cenas animadas, áudios e textos. As cutscenes do jogo são boas, mas ficar ouvindo áudios para saber mais sobre algum chefe é cansativo, considero que seria mais fácil se tudo fosse resumido em um bloco de texto e deixando os áudios apenas para a tela de carregamento antes das missões. Também vejo problemas nós poucos textos que tem no jogo, já que eles são blocos de texto curtos com que precisam de várias partes para se completar, e não aprofundam em nada, deixando qualquer resquício de lore raso. Se fosse feita em forma de textos maiores e mais contínuos eu acolheria mais a trama do jogo.

Também me desagrada como é tratada a histórias dos personagens, que são contadas por meio de quadrinho que não estão presentes no jogo. Por mais que seja fácil encontra-los na internet, eles já deveriam estar no jogo, poderia ser uma recompensa por chegar ao nível 6, já que é algo importante para o entendimento de quem são eles.

Tudo que você precisa saber sobre a lore está bem arquivado em uma das construções do jogo.

Gameplay

O jogo se baseia em duas partes, uma é o combate em turnos numa formação de quatro pessoas, onde sua posição e ataques a serem usados importam para fazer uma boa composição. Você também tem trinkets que podem ser equipadas nos seus personagens que adquiridas por meio de missões ou comprandas na cidade.

A outra parte da gameplay se baseia no gerenciamento da cidade que devemos reconstruir parte por parte usando recursos encontrados nas dungeons. Ela também te auxilia te dando buffs ou tirando suas peculiaridades negativas, e algumas construções são essenciais para conseguir zerar o jogo. Sinceridade, é um sistema bem simples e básico que claramente não quer tirar o foco das dugoens.

O diferencial deste jogo e o que o torna único é sua mecânica de estresse. Imagine que na vida real você vai enfrentar monstros e criaturas bizarras com pessoas que você nunca andou antes, tudo isso com toda certeza mexeria com você de alguma forma, e é nisso que essa mecânica se baseia, durante toda dungeon seus personagens ficarão estressados constantemente e poderão desenvolver uma virtude ou enlouquecer, e caso seja a segunda opção seus personagens começarão a gerar mais estresse no resto do grupo e podem se recusar a fazer certas ações. Esse sistema apesar de ser o que torna o jogo tão difícil para alguns é de longe uma mecânica bem fácil de lidar com o tempo. No decorrer do jogo ficara cada vez mais difícil alguém da party ficar estressado e mesmo que fique você provavelmente vai conseguir lidar bem com isso sem se preocupar muito.

O jogo por ser um rpg de turno obviamente usa RNG com uma mecânica, e garanto que vem daqui toda dificuldade que o jogo pode causar. Imagine você está fazendo uma run perfeita e simplesmente alguma coisa sai do controle e tudo começa a dar errado e lá se vai um personagem e quando percebe só a pô e vento sobre os cadáveres daqueles que iniciaram a incursão. O mesmo acontece quando você começa a tomar uma serie de decisões erradas e simplesmente tudo começa conspirar pra dar certo sem nenhum mérito seu. Olha, o RNG funciona muito bem para dar aquela apreensão quando tudo está dando errado e você consegue vencer, ou quando vem aquele critico de 40 de dano, mas na maioria dos casos é só frustrante já que no decorrer do jogo você literalmente vai conseguir lidar com qualquer desafio da dungeon sem nenhum problema sabendo exatamente quais ações tomar e os inimigos a priorizar, tirando qualquer desafio do jogo a não ser quando o RNG aparece e faz tudo dar errado gerando uma dificuldade artificial que inutilizam as suas habilidades e estratégias no jogo.

A maioria dos mapas do jogo são randômicos e minha única crítica é em relação as ‘’dungeon muito longa” que eu sei que sua proposta é ser longa, mas caramba pelo seu tamanho ela só chega a ser cansativa e desinteressante pelo excesso de repetição que você fara andando de um lado pro outro enfrentando sempre as mesmas composições de inimigos, sinceramente não me importaria que tirassem. De qualquer forma, você sempre pode ignorar elas.

Os chefes são criativos e interessantes tanto em sua lore quanto nas suas habilidades, mas a maioria são bem fáceis (incluindo alguns da masmorra mais escura) o que não ajuda muito no fato de você ter enfrentado eles umas três vezes no mínimo pra fechar uma área por completo. Afinal se você já o derrotou quando o mesmo era mais fraco agora com mais conhecimento de seus personagens e de como funciona o jogo e o boss é praticamente nula qualquer desafio presente ali. O jogo também apresenta chefes mais randômicos como o berrante, que para mim são mais interessantes em gameplay que os chefes comuns por realmente apresentar algum desafio (mesmo que pouco também).

Na cidade temos vários terrenos que precisamos melhorar que no final apenas 4 importam e os outros você pode ignorar. Entre eles acho que a carroça deveria dar a opção de fornecer mais slots de personagens, falo isso por que o jogo deveria permitir você ter no mínimo 2 personagens de cada classe, o que acontece se você não estiver usando nenhuma dlc. Normalmente você vai ter 3 ou até 4 de uma mesma classe no slot, seja por afinidade ou porque aquela classe é boa em qualquer composição, porem como os espaços são muito limitados, você acaba negligenciando certos personagens que você não usa muito como meu caso a abominação e o soldado que mesmo sendo bons personagens eu não considero muito eles na hora de montar uma composição. No fim do dia eu acabo praticamente nem usando eles direito já que eu prefiro dar espaço a personagens que com certeza vou usar, o que seria resolvido com pelo menos 2 slot para cada classe.

Também é desmotivador ver que a maioria dos terrenos presentes ali como a abadia e a taverna são só gastos inúteis. Você vai zerar o jogo sem tocar neles por causa dos distritos que também vão exigir bastantes dos recursos que seriam usados nas instalações. Além de alguns buffs quase não fazerem diferença na pratica.

O banco é a construção mais quebrada do jogo, praticamente te fazendo ficar milionário inutilizando o dinheiro no jogo (que o principal recurso encontrado dentro das dungeons) e isso até mesmo inutiliza a antiquaria que é um personagem lixo que só serve pra farmar dinheiro. Eu zerei o jogo com mais de $22.200.000.

Final

O final do jogo me agradou muito. Seu chefe final é extremamente interessante em temática e gameplay apesar de ser fácil e apresenta uma boa ‘’reflexão’’ sobre como você trata seus personagens durante o jogo. Infelizmente essa experiencia positiva não se aplica a reta final do jogo que é bem frustrante e entediante.

Quando se explora a darkest dungeon e consegue finalizar ela, os seus personagens não podem mais ser reutilizados, o que faz com que você tenha que ficar farmando xp com seus personagens de level mais baixo pra conseguir finalizar a dungeon ou ter outros personagens reservas com o nível ideal. Isso é um problema caso você queira usar alguma composição em especifico na situação ou tenha perdido personagens explorando as darkest dungeon, sem contar que caso abandone a mesma sem completar perdera algum personagem. Isso me lembra que eu entrei em uma darkest dungeon sem upar meus personagens no ferreiro pro level que eles tinham e estava inviável continuar a dungeon, até que eu resolvi sair e perdi justo o personagem mais importante pra minha composição eu estava usando.

Se só ficar matando bicho genérico fosse a forma de subir de nível até seria tolerável, mas não! Você tem que completar umas 2 dungeons medias no mínimo para subir um nível e ainda corre risco de seu personagem ficar faltando 10% para evoluir. E reze pro RNG não simplesmente matar o personagem que você tanto se dedicou para upar morrer como bosta. Isso seria facilmente resolvido se a carroça pudesse ter mais upgrades para trazer pessoas com mais níveis, já que ela apenas nós trás personagens de nível 3 e ainda em pouca quantidade podendo não ser da classe que busca.
Se não fosse por esses detalhes eu garanto que reta final seria bem mais interessante e não me faria ter entrado em hiato para zerar o jogo, principalmente porque não achei a darkest dungeon tão difícil.

DLCS

Eu acho que importante salientar sobre as dlcs, já que elas são uma parte importante sobre a experiencia do jogo.

Falando primeiro sobre a ‘’The Crimson Court’’. O que dizer dela, simplesmente essencial para o jogo. Não consigo imaginar uma run deste jogo sem essa dlc ativa, é como se ele fosse capado, ela meche com toda estrutura de gameplay adicionando desafios e complexidade a todas as suas ações. Os chefes dessa dlc são os melhores de tudo que o jogo pode oferecer. O personagem que ela acrecenta também é muito forte e consegue ser um dos meus favoritos, tanto em gameplay como o design.

Se tenho críticas a acrescentar, seria sobre sua dificuldade que assim como o jogo base desaparece assim que você entende todas as mecânicas e se torna apenas RNG. Por isso não concordo com a galera que diz que não se deve começar uma campanha com essa dlc ativa se for sua primeira vez, sendo que qualquer consequência que ela apresenta durante a campanha são simples de se lidar não trazendo quase nenhuma consequência quando se sabe o que fazer, que garanto a você que não é algo difícil de entender, principalmente se levar em conta que o jogo te explica tudo de mão beijada sem você ter que se preocupar muito. Ouvi gente falando que perdeu o save por causa desta dlc, isso só mostra o quão essas pessoas são desinteressadas em entender as mecânicas do próprio jogo. mesmo que todos os seus personagens fiquem infectados, você ainda consegue jogar sem muitos problemas se tiver uma construção especifica, inclusive você pode usar a infecção ao seu favor em estratégias especificas.

Outro ponto negativo que tenho a trazer são seus mapas, que são muito longos para quantidade de inimigos que essa dlc apresenta, além de pouca recompensa interessante que está neles, o que me fez só rusha até o final deles sem querer explorar muito. O que também pode torna tudo ainda mais maçante é o fato de que o caminho só revelando de acordo com seu andar neles, o que vai causar com você indo em várias saídas falsa, o que não seria um problema se mais uma vez não fosse pela imensa quantidade de vezes que você fara isso com os mesmos inimigos em suas 6 ou 7 variações de posições que eles têm.

Isso tudo poderia ser resolvido se o jogo colocasse trinkets exclusivas da dlc na exploração dos mapas ao invés de deixar vários itens que são uteis na campanha, mas não animam nenhum pouco de se encontrar na exploração. Ao invés disto eles preferem deixar que todas as trinkets para serem pegas enfrentando apenas um único chefe de pós game que sinceramente, é basicamente inviável fazer esse chefe pra no final ganhar uma ou duas trinkets que tem grandes chance de você nem usar.
Mesmo com todos esses problemas, vale muito a pena essa dlc e com certeza é indispensável fazer uma campanha sem ela.

As outras dlcs são bem descartáveis na minha opinião. A color of madness me desagradou bastante em sua proposta que pra mim não casou bem com todo o jogo.

A dlc The Shieldbreaker por mais que traga uma personagem extremamente quebrada não é tão necessária assim por ser apenas um personagem adicional, sem contar o fato dela as vezes pode ferrar sua run por causa dos seus sonhos (ou seja lá o que for aquilo) que apresenta alguns inimigos ‘’únicos” que aparecem de repente enquanto você acampa.

A personagem da Atiradora por mais que seja de graça é uma adição inútil já que é substituível por outros personagens facilmente, acabando no fim sendo só mais come espaço na sua cidade.

Sem comentários para a The Butcher's Circus.

Conclusão

O jogo apesar de seus problemas e de se torna maçante em sua reta final, é extremamente satisfatório e divertido de se completar suas dungeons. E não se engane pelas propagandas ao redor do jogo sobre sua dificuldade, já que ela existe somente no seu começo por falta de experiencia sua que facilmente desaparece com o tempo. Recomendo muito, acho difícil achar alguma experiencia similar no mercado.

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